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Sobre coisas de laços ...

  • luisdiariosegundo
  • 16 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 17 de jun. de 2025

Por ela :

Depositou-se o laço com delicadeza por sobre os cabelos de cor ruiva . Prendeu-se com um nó fino e delicado mas ainda assim o adorno escorregava , teimoso , negando-se a parar e fazer ali o seu papel . 3 grampos de cabelo completaram a missão.

Um novo laço estava para se iniciar : um noivado . Havia visto a caixinha nas mãos brutas e trêmulas de seu pretendente quando espiava sua chegada pela janela de cima do sobrado .

Ainda estava entristecida a ponto de chorar . Estava fadada a obedecer e , como de costume , não reclamaria , cumpriria a sina destinada .

Caíra no laço sem mesmo ter chegado perto dele , somente fora avisada que seu destino estava acertado ; não houve consulta , nem rodeios , nem meios termos nem nada .

Sonhava mesmo é  em ser professorinha lá da escola do brejo , acostumada que estava a criançada , todos matutos deixados ao Deus dará com as mãos calejadas pelos ancinhos e enxadas e igualmente sem laços definidos .

Casar era coisa para outras moças , que viviam suspirando pelos cantos a cada matuto que lhes dirigia o olhar , mas até que poderia ser bom...

 

Por ele :

Aprendera a fazer laços desde bem pequenininho  pelas mãos dos peões ,  assentado em sela de burro brabo .

Laço de correr , laço de prender , laço  de amarrar , laço de forca , laço duplo , laço de arrodeio , laço  de butina ... Gostava mesmo era de laçar cavalos pelo pasto . Imaginava que sabia sobre tudo deste assunto até aquele dia ...

Já ia ali pela casa dos 35 anos mais ou menos ( que não tinha certeza quem sabe direito é a mãe ) , roupas tinha duas : a da lida do dia a dia e a da missa que  tinha até gravata de fita com laço dado esperando no armário .

Espelhos não haviam na casa e noção de si mesmo só tinha quando via seu reflexo nas águas do riacho .

Em todos os seus dias contados podia-se dizer que fora pego a laço pelas armadilhas do destino : crescera pessoa bronca , sem estudo , sem tabuada , sem cartilha , sem nada mais que o rabisco do próprio nome que havia decorado ...

Havia chegado ali para cumprir a ordenança do Pai e já nem pensava no assunto pois se conformara há tempos com os desditos do pai que o chamava de cundinha ( apelido diminutivo de corcunda ) embora fosse um rapagão espigado .

Era só o pai a lhe chatear mais uma vez .

Casar ? até que láááá´no fundo não era má ideia ...

 

Pelos pais ...

Até que enfim vão saindo de casa , já não era sem tempo !

Filho é laço que nunca se desfaz , suga a vitalidade da gente  , quando são crianças choram à toa , querem mamar , querem colo , querem correr , querem brincar , querem , querem , querem , sempre querendo algo . E a gente trabalha , trabalha , trabalha ... 

São estes os laços de família , apertados com nó cego , daqueles que nem Santo desatador de nó  consegue desenrolar .

Agora são os últimos pontos de costura no laço do vestido !

Agora são as últimas tranças na crina do cavalo , com laço de fita pra finalizar !

Eis que um novo laço se inicia ...

 
 
 

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