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Sobre coisas de andar de moto ...

  • luisdiariosegundo
  • 15 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

T

Tanque cheio , pneus calibrados , luvas , roupa de chuva , go pro ... tudo certo bora lá rodar !

O destino está planejado , a rota já foi perguntada varias vezes para os que já foram ou querem ir algum dia .

 Saindo cedo ali pelas 7h sozinho ou acompanhado de outros motociclistas, o ruido dos motores instiga a gente a acelerar e iniciar logo outra aventura .

De inicio são as mesmas ruas e casas , a velocidade aumentando e começam os bairros distantes e por fim as estradas de terra . Agora sim começa o passeio ...

Cada curva e cada buraco , freada ou retomada é uma injeção a mais de adrenalina .

Por onde passo as crianças acenam e se imaginam no futuro , os velhos olham e lembram do passado . A poeira do caminho embaça o olhar de quem vem atrás ... aí é que mora o perigo . Interessante como os quilômetros passam e a mente se perde .

Explico : é de se supor que a pessoa sozinha dentro do capacete por um longo período de tempo fique a pensar , moer e remoer alguns ( senão todos ) acontecimentos.

Quando um pensamento se inicia ele logo é interrompido ( e aqui há de se ler bemmmm devagarinho , como se ali estivesse passando ) por uma árvore bonita , um lago meio escondido , uma sombra projetada , um pequeno curso d’água , um Ipê de qualquer cor , uma cerca arrebentada , um cupinzeiro , uma pedra grande , um portal , uma ponte de madeira , uma placa apagada demais , um cruzamento , um chafariz , um pesqueiro , uma ponta de praia , mais um buraco para desviar , uma subida , uma descida , um outro motociclista em sentido contrário , gente andando na beira da estrada , um cachorro , um cavalo e seu cavaleiro , uma curva sem visão , uma olhada no painel , um placa de vende-se , wifi rural , poços artesianos , grandes postes de madeira , casas de João de barro , pequenas casas já esvaziadas de moradores a muito tempo , igreijinhas , crianças brincando , bandeirinhas de festas Juninas não retiradas até mesmo no mês de Dezembro , um mirante , hortênsias azuis , vermelhas e cinzas , limites de município , fazendas e sítios com nomes esquisitos como “ Muriçoca , Pedra Quebrada , Cascais do Arroio , Gruta da Curva , Kallas da Serra, nomes de santos então ... .

E os pensamentos ? há , este já se foram há muito tempo , afinal nem eram assim tão importantes .

Uma dorzinha nas costas , outra dor na bunda , a mão que cisma em de vez em quando ficar dormente , tudo isso contornável ( só quem anda de moto sabe entender como aguentamos ) até que surge a primeira parada para um breve descanso em algum boteco ou armazém daqueles que ainda tem aquelas espirais mata mosca ao lado de velhos coadores de pano , enxadas e foices pendurados nas vigas do teto cheias de teias de aranha .

O dono da venda então engata uma prosa sobre “ os velhos tempos “ , pergunta de onde se vem e pra onde se vai , indica caminhos e cuidados a tomar e pergunta :

- Vai uma pinguinha aí ? “ como se fosse normal pra quem está dirigindo ... inocência .

Já refeita a coragem com menos dores e espírito renovado , estamos de volta a estrada . Agora pensar na volta .

Pelo mesmo caminho ? por outra estrada ? quantos km faltam ? seria melhor dormir por aqui mesmo e voltar amanhã ? tantas considerações ... enquanto isso as paisagens passam ficam lááá atras , perdidas na última curva .

No horizonte o sol lança raios avermelhados em direção a lua e já se inicia um namoro que jamais vai ter um beijo , história triste mas uma beleza de se ver.

Já aparecem placas com o nome da cidade destino , o cheiro do ar muda , as árvores acabam e já não há mais pontes de madeira , somente asfalto negro com faixas amarelas e brancas ...

Agora sim , vem pensamentos dizendo “ acabou “ e começam as dores de cabeça da vida real .


 
 
 

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