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Sobre coisas de baralho ...

  • luisdiariosegundo
  • 16 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura


Nestes dias de ficar em casa o roteador não dá conta de alimentar tantos celulares,PCs,laptop,Tablets,TVbox e um sem fim de aparelhos domésticos que

já estão prontos a enviar mensagem dizendo quando acabou o leite da geladeira, se você esqueceu as lâmpadas acesas, alarmes monitorados etc etc etc  .

  O pacote de dados já passa de 100 gigas e já dá sinais de travamento quando tentamos baixar qualquer coisa .

As pessoas já estão com a paciência trabalhando muito acima do limite esperado para a boa convivência , maridos a ponto de saírem e não voltarem mais, esposas neuróticas de tanto trabalho de casa e filhos órfãos de escola correndo , pulando e fazendo barulho preenchendo todos os espaços da casa ... pequenas bombas quase explodindo .

Já não há mais o que inventar para fazer com tanto tempo livre assim trancado dentro de casa. Eis então que algum incauto puxa lá do fundo da gaveta um antigo conhecido das famílias Brasileiras: Um Baralho!

E inicia-se então mais uma peleja, daquelas que tem tudo pra dar errado: a escolha do jogo.

Explico: devido a quantidade de jogos disponíveis que é grande (buraco, canastra, pife-pafe, rouba montinho, biriba, bisca,21 e mais um sem fim de jogos) cada qual quer escolher o que conhece e após a escolha vem outro empecilho: lembrar as regras (que já é outro capitulo a parte).

  Impõe-se democraticamente o jogo de Buraco, separam-se os parceiros formando duplas, cobertor velho forrando a mesa, caderno e caneta prontos para marcar o escore e enfim inicia-se o jogo .

11 cartas para cada um, dois “morto” separados num cantinho da mesa, o monte no centro para as compras e descarte.

As crianças dão sossego interessadas que estão pela novidade, ficam rodeando a mesa perguntando “que carta é essa? “ e entregando o jogo sem querer para alegria dos oponentes.

De repente alguém puxa o Joker e coloca em uma canastra simples, e é quando começa a discussão: _coringa só vale o 2, o resto não vale, tira isso do baralho, já tão avacalhando, assim não jogo mais  está promovido o caos!

A noite já não tem conserto pois os jogadores se engalfinharam lembrando coisas acontecidas na última partida e das promessas de “nunca mais jogo com você “ feitas com palavras vociferadas a plenos pulmões e dedos em riste quase a tocar o nariz do outro. Uma lástima.

Qualquer tentativa de apaziguar os ânimos só fará efeito daqui a alguns dias.

Automaticamente voltamos para nossas máquinas salvadoras em busca do face book e WhatsApp (claro , pois não podemos nos distanciar das mídias sociais ! ) enviando mensagens de bom dia, tarde e noite , coraçõezinhos brilhantes e piscantes com dizeres de “ amo minha família “ , frases bíblicas anunciando bençãos e prosperidade em sua vida etc etc etc .

Nada disto teria acontecido se não fosse esta gente toda dizendo para largarmos a internet e voltamos as raízes.

Somos a sociedade do futuro, novos corcundas de pescoço torto voltado para o próprio umbigo, separados porém conectados, a procura da tomada mais próxima e do sinal sem senha do wifi de algum lugar.  

Basta lembrar que você está lendo este texto em algum destes aparelhos ...

E volta o baralho pro fundo da gaveta ...

 
 
 

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