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Sobre coisas de estacionamento ...

  • luisdiariosegundo
  • 2 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

Depois do valor que lhe cobraram para estacionar seu carro em um estabelecimento particular ( já que não quis deixar seu carro na rua , na zona azul ) pelo tempo de 30 minutos , ficou a imaginar se ainda compensava ter um carro .

Será que os homens das cavernas tinham a mesma dificuldade para estacionar seus tiranossauros rex conversíveis ?

Sim , porque o homem moderno já quase não anda a pé  desde o início de tudo certo ?

Até ficou a pensar que quando inventaram a roda , já apareceram automaticamente  alguns guardadores de rodas , com algum trapinho  na mão :

— Quer que tome conta doutor ? tem muita gente má que pode lascar a sua rodinha ! – e pronto , como em um passe de mágica surgem os chantageados inocentes e também os donos de estacionamento particular .

Os primeiros são oportunistas de plantão que ganham seus valores usando da pressão e medo impingido aos “ clientes “ ; os segundos são os bocós orgulhosos proprietários da fonte de discórdia , enraivecidos ,  mas sem opção nesta situação ; os terceiros são os que derrubaram algumas casas velhas e estão a ganhar dinheiro sem esforço e , é claro , depois constroem outras casas com piscina e que já aprenderam a andar só de Uber  para não ter o mesmo problema para estacionar .

Talvez então fosse o momento de retomar antigos projetos , pensar em morar no interior onde o ritmo da vida certamente é mais lento , andar de carro de boi ou a cavalo , onde se pode “ estacionar “  os mesmos amarrados em algum mourão na beira da estrada ou bem em frente ao açougue , a barbearia ou da pracinha central .

Pode até ter o cheiro de bosta por todas as ruas e não ter o mesmo glamour da cidade grande , mas também não tem aqueles malditos sanguessugas a enfiar as mãos em seu bolso .

O desejo do sossego , de poder andar respirando o ar puro enchendo os olhos com as paisagens , pisando em flores de ipês amarelo e rosa caídos ao gosto do vento , parando a cada instante para cumprimentar os vizinhos e mandar marcar as compras no caderninho para pagar depois no final do mês ...

Isto sim é paz , tranquilidade .

Nada destas forças da modernidade .

Pensamento utópico , já que uma das primeiras coisas que iriam aparecer por ali seriam uns moleques , destes que tem um vão no dente da frente e por ali cospem e assoviam , com a cabeça baixa e as mãos estendidas em claro sinal de que “ aqui tem que deixar uma grojeta “ , senão tem gente ruim que rouba as ferraduras ...

Melhor mesmo sair a pé . Fazer um exercício , um cooper pela avenida ... mas aí também não vai dar .

A antiga avenida onde ele e outros moradores colocavam as cadeiras na calçada para conversar a noite e ver seus filhos a brincar descontraidamente , agora se tornara uma via de trânsito rápido com uma média de 2000 carros por hora !

A primeira vez que enumerara os veículos quase caiu na frente de alguns , de tanta tontura por ficar virando o pescoço .

Fuscas azul calcinha , opalas com teto de vinil  e corcéis I e II  eram meio que os donos da rua ; hoje são carros que nem sabe o nome , cada vez mais altos , reluzentes em suas cores prata , cinza ou brancos perolados com faróis de neon , sons altamente irritantes em suas potências ligadas ao máximo .

Chega . Definitivamente impossível ser feliz assim .

De agora em diante só sairia de carona com os conhecidos :

— Tá indo praquele lado ? vai passar perto de tal lugar ?

Isso sim seria a evolução do transporte ...

 
 
 

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