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Sobre coisas de fone de ouvido ...

  • luisdiariosegundo
  • 16 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 20 de jun. de 2025



Caminhando hoje cedo pelas ruas da cidade observei pessoas que como Eu , estavam usando fones de ouvidos , e não éramos poucos .

Alguns seguiam em passos apressados e olhos vidrados e inexpressivos  , outros passando mais lentamente e balançando o corpo de forma comum ,  e ainda alguns com uma diferença que saltava aos olhos : pareciam exalar sentimento ( se é que eles tem cheiros ) .

De todos os tipos de arte que existem à musica me chama a atenção . Música é para sempre.Música é atemporal . Contagia gerações . Altera comportamentos . Coloca o astral láaa em cima e ao mesmo tempo derruba láa embaixo. Questão de um clique para mudar .

Acredito que haja um comportamento que segue um padrão : as musicas mais lentas são as  mais ouvidas na hora que se está apaixonado ou na fossa . Deixam o semblante hora triste e carregado , hora sorridente e sonhador ... as músicas mais agitadas são das pessoas que andam mais depressa ,  revelam rostos mais alegres , fazem as pessoas pularem amarelinhas imaginárias e moverem baquetas no ar como se fossem bateristas do Rock Iron Maiden . 

Se alguém tentar conversar com o portador do fone , eles apenas os afastam alguns centímetros da orelha e por instantes voltam a fazer parte da coletividade , estão de volta a Matrix .

Mas é só o tempo de responderem alguma coisa e pronto , lá estão os fones novamente encarapitados , ajeitados com cuidado esmerado que é para não perder a qualidade do som e ainda evitar outros ruídos externos .

Volto minha atenção para as minhas próprias músicas . Como elas me revelam ?  

Tim Maia diz que não quero dinheiro ,quero amor sincero . Tá certo amor é bom mas sem dinheiro não se faz muita coisa ... 

Lulu insiste em dizer que nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia . Não sou saudosista mas algumas coisinhas eu ainda prefiro como antigamente ...

Diz Ivete que quando a chuva passar , quando o tempo abrir , abra a janela e veja : eu sou o sol ,eu sou o céu  e o mar , eu sou seu fim . A mais pura verdade é que muitas vezes me  acho  um nada a beira do caminho ( só para contrariar Erasmo ) ...

Tavito me dá a deixa : Muito prazer , vamos dançar que eu vou falar no seu ouvido , coisas que vão fazer você tremer dentro do vestido ... Me sinto com 15 anos .

Herbert Vianna diz  que há uma luz no fim do túnel dos desesperados , há um cais no porto pra que precisa chegar ... Me acontece de andar por aí pelo escuro total , aos sobressaltos e tropeçando nos próprios cadarços , procurando a tal luz que as vezes parece um trem na contra mão de meus passos ...

Barão canta em ritmo acelerado que quando o sol bater na janela do seu quarto , lembra e vê que o caminho é um só ... Olha Eu aqui de novo procurando o caminho ...

Camila Camila , Ana Júlia , Beth Balanço , Jenifer , Gabriela , Lady Laura , Maria Maria , Soraia Queimada , Tereza da Praia , Alice , Gení , Amélia , Bete Frigida, Creuza , Diana , Florentina , Iolanda ... para quantas mulheres já se fizeram letras com seus nomes ? 

Retiro um pouco os fones para descansar as orelhas que já demonstram sinais de cansaço .

Andando pelas avenidas e ruas movimentadas ouço novos sons com seus ruídos de falatórios e cacofonias, buzinas de bibi e fonfons , ambulantes anunciando seus produtos made in Paraguai , gente oferecendo consulta grátis com o oculista , frases escritas com letras gritantes de COMPRO OURO , pregadores do Apocalipse a plenos pulmões ...

Já chega de ouvir o mundo real . Quero meu mundinho de volta . Recoloco os fones.

Agradeço a Nathaniel Baldwin inventor dos fones de ouvido ( acho que era outro que queria sossego ) .

Agora posso novamente escolher o que ouvir e como me sentir .

 
 
 

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