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Sobre coisas de fotografia ...

  • luisdiariosegundo
  • 16 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Dia destes saí com minha máquina fotográfica pelas ruas da cidade . Ainda era cedo e o sol ainda não havia dado as caras , uma brisa marota com ânsias de ser uma neblina soprava como que se saindo da terra , a garoa fininha embalada pelo vento .

  De início não vi ninguém perambulando e nem mesmo os cachorros estavam a fazer barulhos . As lâmpadas nos postes faziam seus esforços e pequenos círculos amarelos se desenhavam a seus pés .

O primeiro clik veio fácil : o reflexo nos paralelepípedos molhados convidava a recordar velhas fotos em preto e branco , dos tempos em que as carroças transitavam por alí , das velhas procissões com seus beatos , dos risos soltos das festas de carnaval de rua , entrecortadas pelas grandes tábuas de madeira que suportavam os trilhos do trem com seu fumaceiro levando e trazendo tudo que ficou em nossas recordações ...

Toc Toc toc ... os primeiros ruídos .

Saltos deixavam suas impressões sonoras e logo se ajuntariam a uma cacofonia característica dos movimentos das massas ... gostaria de poder fotografar este som mas o registro ficou mesmo no fundo da memória .

Uma rosa em um jardim : clik . Um gato curioso me olhando de cima de um telhado : clik . Uma praça , um coreto , um banco : clik clik clik .

A placa com o nome da rua toda enferrujada : clik .

Uma árvore de Ipê branco toda florida despejara algumas flores por sobre a calçada e parte da rua : clik . Os primeiros clarões do dia por entre as nuvens : clik .

Agora as pessoas passam apressadas sem nem reparar em mim, cada qual compenetrada em seus pensamentos , uma senhora empunhava seu guarda chuvas de listras coloridas , uma motocicleta amassada já ai ao longe : clik clik clik ...

Um artista de rua sopra pequenas bolhas de sabão : clik.

Os jovens apressados esbarram uns nos outros , pessoas cheias de informação e vitalidade , celulares em riste , fones de ouvido , mensagens trocadas ... geração do pescoço dobrado para baixo em direção ao próprio umbigo .

Coisas da modernidade . Nem dá tempo de fazer um clik .

Pelas lentes vou a registrar de vários ângulos as facetas da cidade : um prédio alto , um semáforo desligado , gente lavando calçadas , vendedores ambulantes e seus penduricalhos , crianças segurando nas mãos de seus adultos ... clik clik clik ...

Meu reflexo nos vitrines das lojas : clik . E só então me dou conta que já estou com a camisa molhada , a boina umedecida já meio caída e sem graça por sobre os cabelos brancos .

Outros olhos me olham lá de dentro me convidando a entrar , ao que eu meio que agradeço e sigo em frente sem destino certo .

A pequena rua agora é uma avenida asfaltada , pintada com branco sobre o preto , que vai sumindo ao alcance dos olhos ...

Uma rua com placa de SEM SAÍDA .

Andei bastante , fui longe , hora de voltar ...

 
 
 

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