Sobre coisas de Restaurante Maria Bonita e Lampião
- luisdiariosegundo
- 15 de jun. de 2025
- 3 min de leitura

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Dizem as boas línguas ( porque as más não se consideram ) , que Maria Bonita está bem , com seu restaurante Casa do Norte .
Cansada da vida de bandida ao lado de seu ex ( lampião pra quem não sabe ) , deixou o cangaço e mudou-se inicialmente para o bairro do Botafogo , na cidade do Rio de Janeiro.
Incomodada pelo calor , mudou-se um ano depois para São Paulo , no bairro do Bixiga, encantada com o sotaque Italiano e a garoa que nunca havia visto lá no interior do sertão .
De início enfrentou a carreira de empregada doméstica , mas o seu gênio meio nervosinho lhe trouxe alguns problemas ( nada de se estranhar ) , mudou de carreira várias vezes.
Tentou ser manicure , desainer de sobrancelhas e até fez um curso de acupuntura mas não levava jeito . Eram atividades que requeriam destreza nas mãos e paciência pra aturar as madames , coisa que nunca teve .
Um dia passando pela Rua Direita ouviu os assovios fiu fiu dos peões de obra que gritavam frases como “ e lá em casa “ , “ te dou casa e comida ... “ entre outras pérolas da arte da cantada Brasileira e teve uma iluminação ( não vinda de
nenhum lampião ) e saiu decidida a fazer o que realmente sabia : uma boa buchada de bode , sarapatel , dobradinha e até mesmo uma boa tapioca feita em panela de ferro .
Correu a pedir um empréstimo a um homem misterioso com que tivera um affair tempos antes , fez um puxadinho de lage no bairro da Moóca , comprou panelas e pratos no brechó mais chique que encontrou , mandou fazer uma placa com o
nome “ Maria Bonita “ estampado ( que logo mudou para Maria Bonita e Lampião – coisas de marketing ) e , definido o cardápio , inaugurou numa segunda feira e logo de cara foi um sucesso !
Para lá corriam todos os saudosos dos temperos Nordestinos , do som da sanfona de Luiz Gonzaga tocado nas caixas acústicas espalhadas pelo salão , os enfeites coloridos que há muito não viam e a liberdade de comer uma farinha lançada com destreza de encontro a boca sem perder nenhum bocado .
Algumas fotografias orgulhosamente penduradas nas paredes mostram os ilustres que por lá já passaram: Alex Atala , Claude Troisgros , Éric Jacquin e até Ana Maria Braga com seu respectivo loro José já passaram por lá e deixaram assinaturas em seu avental .
Hoje Dona Maria não cozinha mais – apenas dá broncas nos cozinheiros e garçons que a tratam como mãe – e circula por entre as mesas na hora do almoço falando com um e outro , contando todo tipo de lorotas de troca de balas e facadas com
as volantes , dos tempos bons dos barulhos .
Ainda o amigo empreendedor por abrir um destes restaurantes com a franchaise adquirida diretamente com Dona Maria , que ainda controla os negócios com mão forte .
Basta para tal um aperto de mão e uma pequeno gesto : a mistura dos sangues derramados a partir de um pequeno corte de punhal no lado direito da
mão , e a promessa de que se tentar me passar a perna ... já sabe
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