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Sobre coisas de silêncio ...

  • luisdiariosegundo
  • 25 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura


O silencio conseguia ser absurdamente barulhento , fazendo fervilhar as ideias dentro de sua mente já cansada .

Acordara cedo ali pelas 4h , a  jornada iniciaria bem cedinho .

Seu sono irrequieto denota que agora  já não tem sentido continuar virando e revirando sobre os  lençóis .

Entre espreguiçar e simplesmente sentar-se a beirada da cama já denota algum tempo .

Ao se levantar , o arrastar das chinelas quebra o tão importante silencio que tentava manter .

O tic-tac do relógio ganhara proporções de um sino de catedral e antes que despertasse , foi devidamente travado e  transportado para o  quarto ao lado .

Não precisava dele para acordar no horário , já se havia acostumado após tantos anos de rotina e dificilmente perdia a hora .

Agora o barulho intermitente do motor da geladeira já estava a irrita-lo , mas diferente do relógio , não poderia ser arrastada para outro lugar . Talvez mais tarde a colocasse na garagem , só para garantir um pouco de silencio .

Alguém não havia fechado corretamente a torneira do lavabo que ficava no andar de baixo , e o pinga-pinga frenético ecoava pela casa como pequenas bombas caindo de algum avião de combate , a arrasar com ao seu descanso .

Outra coisa a se fazer mais tarde : passar um pito na criançada e na esposa também , ninguém iria escapar da advertência severa por causa do descaso ao seu descanso .

Onde já se viu deixar torneira pingando !

Era verão e ao olhar pela janela da cozinha já podia identificar o início do raiar do dia , e se ouvia um ou outro pássaro a chilrear , meio tímido ; talvez a mamãe passarinha a despertar seus filhotes . Mais barulho .

Pássaro irritante , sem noção .

Ainda poderia dormir mais um pouco , mas não  ! , precisava atarantar a vida de quem estava quieto tentando dormir .

O cachorro que dormia ao lado  de sua cama já estava roçando seus pés querendo um carinho e um pedaço de qualquer coisa para comer .

Cães não são muito exigentes , basta um afago e eles logo voltam a se enrolar e dormir novamente .

Deixara a de usar a chinela que a cada passo dado ia se arrastando e fazendo um ruído enorme  e , agora  andando descalço , logo sentiu  um friozinho gelado  invadindo a sola dos pés , que lhe subiu direto ao nariz e pronto , lá vai um estrondoso espirro ! É o caos instalado !

Em questão de segundos uma das crianças inicia um chorinho discreto , que vai aos poucos se tornando uma sirene de incêndio , e é o início do fim do pouco que restava do precioso silencio .

Prevendo uma esposa irada a questionar o que ele estava fazendo acordado àquela hora , rapidamente coloca leite a esquentar ao micro ondas ( que apita a cada tecla tocada aumentando a cacofonia ) para uma  mamadeira feita com leite em pó  tirado de uma das latas que teimara em abrir escandalosamente.

Mas aí já era tarde .

A casa outrora envolvida em escuridão agora está se iluminando como uma noite de natal , aposento após aposento  tem suas portas abertas , rangendo em suas dobradiças e batendo logo depois devido ao desnível de cada uma : Bam !

Está decretado , agora é um novo dia .

Quem sabe se for bem hábil  possa conseguir  chegar mais cedo ao escritório , e antes do restante da turba chegar ,  tirar um cochilo gostoso no sofá de sua sala ...

O silencio vale ouro ...

 

 
 
 

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