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Sobre coisas de televisão ...

  • luisdiariosegundo
  • 7 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Voltando ao passado ( até porque ainda não se pode voltar ao futuro ) , ali por volta da década de 1970 , as mães deixavam de se preocupar com seus filhotes colocando-os na frente da tv .

Alguns aparelhos nem eram a cor ainda , tinham na frente da tela um celofane com três faixas coloridas para dar vivacidade e a impressão de modernidade .

Havia também uma peça extremamente importante que era o regulador de voltagem .

Quando a rede elétrica apresentava alguma variação como o ligar ou desligar de um chuveiro ( daqueles também antigos Lorenzetti cheio de parafusos e porcas ) , a criançada devidamente ensinada já sabia como se portar : ficar atento e aumentar ou diminuir no botão o raio da voltagem pra não queimar a tv .

Alguém gritava lá do banheiro :— “ vou ligar ! “ , “ vou desligar “ e era um rodar de seletores só  ! e ai de quem não estivesse prestando atenção .

A mãe da gente só faltava pular em cima com o chinelo na mão , já descarregando um monte de possíveis valores das válvulas que se queimariam e um famoso “ espera seu pai chegar , vou contar tudo pra ele ! “ .

Já era o suficiente para ter a tv desligada e ficarmos de castigo num canto da sala ou trancados em nossos quartos , a espera de que a terrível raiva da mãe passasse , ela se esquecesse do assunto ou ficasse com dó mesmo ( o que viesse primeiro ).

Depois de um corre-corre da sala para a cozinha e quintal , para ter um pouco de sossego  a tv era novamente ligada .

Segundos de tela preta , depois uma faixa iniciava a aparecer no meio da tela e aos poucos a imagem ia se abrindo ( até as válvulas aquecerem ) .

Agora era a vez da imagem subir ou descer , tinha que ficar ajustando no botão do “ vertical “ até estabilizar e era aquela chuvisqueira danada , até que um dos tios subia no telhado e ficava ajustando a posição da antena e o que se ouvia era um monte de “ volta “ , “ mais pra direita “ , “ deixa assim , não meche mais ! “ , “ pode descer “ entre outras coisas , tudo para deixar a imagem um pouco mais nítida .

Era a época de Flávio Cavalcanti e Chacrinha , Jovem guarda em ascensão , Os irmãos coragem com todos os seus 328 capítulos ( ! )  , boa noite Cinderela do Silvio Santos no canal 5 , O clube do Bolinha no 13 apresentando o quadro “ eles e elas “ e os desenhos de Hanna-Barbera .

De vez em quando a programação era interrompida para grandes anúncios  emergenciais ; em um deles  o Médici apareceu com o bordão “ Brasil , ame-o ou deixe-o “ para fortalecer o sentimento nacionalista , elogiando o povo trabalhador em cadeia nacional e sacramentando o aumento de salário tão esperado no dia 1º de Maio .

Logo em seguida voltávamos a programação normal de domingo onde a família estava reunida na sala , esperando o anunciar da zebrinha para saber quem ficou rico fazendo os 13 pontos , e o domingo ia  acabando quando ouvíamos a musiquinha final do fantástico . 

Era uma agonia porque depois disso  já era segunda feira de novo , o relógio despertava as 5h30 anunciando que o pai sairia pra trabalhar , para logo e em seguida a molecada ainda sonolenta ser arrancada da cama e  mesmo que estivesse o maior frio , sair de calção azul escuro e camiseta  Hering branca de alça  e ir caminhar longe até a escola para a educação física .

Uma pena que hoje não tenha mais Zé Colmeia e Catatau ou Jeannie é um gênio onde tudo acabava bem para os mocinhos , e nos revólveres dos filmes de Bangue-bangue nunca acabam as munições ....


 
 
 

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